Atos Comuns da Vida de Jesus

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Por que será que Jesus não nos deixou ensinamentos preciosos que proferiu nos anos que antecederam sua missão maior de amor a humanidade?
O que terá ele passado nos anos em que viveu em Nazaré com a família e amigos?
Sua vida terá sido comum como a nossa?
Todos nós sabemos por intuição que esse período tem menor importância em relação à sua pregação que constam nos 4 evangelhos e que transformaram o mundo, não fosse assim ele teria dado um jeito de ficarmos sabendo.
Mas podemos fazer algumas considerações.

O pouco que se sabe e que constam nos livros se traduzem em lembranças de Maria sua mãe, anotadas e registradas pelo evangelista Lucas, como o episódio do Nascimento e a visita à Jerusalém, aos 12, com seus pais. Apenas isso.
Sabe-se que ao retornar à Nazaré, logo após o episódio acima, iniciou o trabalho na oficina do pai. Seu ministério, estima-se que iniciou-se aos 30 anos.
O cristianismo era conhecido como a doutrina do carpinteiro de nazaré, nos primeiros anos após a crucificação, fato este conhecido, o que significa que ele exerceu a profissão por longo tempo em sua cidade.

A fama de Jesus se espalhou pela Galiléia e Judéia, sobretudo pelas notícias de cura dos cegos e paralíticos que ocorreram sob o olhar de Pedro, João e Tiago, e dos moradores das vilas por onde andava, foi então aqueles homens e mulheres de Nazaré disseram entre si: “Este não é aquele carpinteiro, filho de José, que vivia entre nós? E seus irmãos e irmãs não vivem entre nós?”
Isso significa que ali, antes, ele tinha uma vida comum mesmo, como a nossa, ou eles não teriam estranhado.

E como teria sido essa vida?

Ainda criança brincava com amiguinhos entre as árvores, correndo, pregando peça um no outro? Teria algum brinquedinho ornamentado pelo pai que ele gostasse? Eu acredito que sim.
Teria ficado doente? Alguma febre, uma coceira na pele, uma dor de dente ou unha encravada, como qualquer um dos que conviviam com ele? Sim, talvez. Teria recebido com humilde gratidão, tenho certeza, um chá de ervas preparado pela mãe amorosa, um unguento trazido por uma vizinha amiga da família que o ajudou a suportar alguma dor.
E como teria aprendido as primeiras letras, alguém teria sido seu professor? Sabe-se que conhecia bem as escrituras, portanto aprendeu a ler e estudava. Imaginemos seus erros e acertos nessa tarefa.
Teria ajudado a mãe nas tarefas domésticas, colhido ovos no galinheiro, consertado uma janela, lavado os pratos?

E nos primeiros dias na oficina do pai? Amorosamente José lhe indicara algumas peças de madeira a serem lixadas com algum instrumento da época. Ele próprio deve ter feito a primeira vez para que aprendesse, não teria sido assim? Aos poucos foi assistindo o genitor, mestre no ofício, aprendendo todos os passos da profissão.
Deve ter errado muitas vezes, deve ter estragado alguma peça, quebrado algo, desperdiçado algum material. Mas eu sei, como hoje seria, que o pai pacientemente derrogaria o erro com amoroso perdão, sem antes corrigi-lo, sob o olhar humilde do jovem aprendiz.
Em algum momento José pode ter saído a serviço e deixado a oficina sob seus cuidados, como teria ele recebido algum cliente? Teria feito alguma venda de um banco de madeira? Teria cobrado e recebido o preço justo?
Outra coisa, teria ele se deparado com algum furto? Como teria reagido? Preciosas lições certamente.
Outra coisa: Teria ele martelado o dedo algum dia? Sendo carpinteiro e trabalhando diariamente, eu acho que sim. Mas… teria reagido como algum de nós soltando um palavrão, atirado o martelo num canto e pulado de dor?
Interessante imaginar, mas detalhes assim podem revelar ensinamentos preciosos, mesmo que a resposta seja simplesmente: sim.

E na adolescência? Teria espinhas no rosto? Como lidaria com as transformações do corpo? Teria ele se interessado por alguma moça da vila?
Eu acredito que sim, em secreto, porém jamais alimentaria a intenção, nem demonstraria, pois sabia que sua tarefa futura de amor requeria grande desprendimento, incompatível com relações de afeto e formação de família.
Todavia, as moças da região devem ter se interessado por ele também, afinal elas não teriam missão semelhante, e como teria sido sua conduta? Creio que de respeito e dignidade, jamais proferindo uma palavra que magoasse alguém.
Penso que a dedicação ao trabalho e a promessa de uma vida voltada às escrituras e à sinagoga teria sido seu maior argumento.

Como teria recebido o fato dos amigos, aos 20 anos, formando família e se unindo em casamento? Teria ido a muitas festas? Aos 25 naquela época já estava tarde para se casar, teria ouvido comentários de vizinhos e parentes questionando quando seria sua vez? Nada diferente do que é hoje, e natural pressupõe-se, é da vida que os jovens formem novas famílias.
Certamente teria dito que sua missão é a sinagoga e a tarefa de trabalho do pai. Apenas isso.

Divagações. Divagações.

Tudo isso que narrei traz uma profunda e preciosa lição.
Jesus viveu como nós vivemos. Sentiu tudo o que nós sentimos.
Porém não deu relevância a isso, porque a vida do espírito é a vida verdadeira, e o que é da matéria fica na matéria.
O que mais importa não são os fatos, mas os nossos atos em concordância com as sábias leis do Pai Criador.
Da mesma forma que o carpinteiro sem o prego e o martelo não consegue preparar a obra, sem sabedoria e busca do conhecimento o homem não tem boa conduta diante das questões singelas da vida comum.

A maior armadura é a Fé e o maior poder é o Amor.

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